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História e mitos da amamentação.

Quando nasce um bebê, é necessário que adultos provejam suas necessidades básicas ainda por bastante tempo após o nascimento. Eles devem exercer funções que o útero desempenhava: proteção, nutrição e calor. A amamentação é essencial para a transição do bebê de dentro para fora da barriga, e por causa de suas propriedades imunológicas, nutricionais e biopsicossociais, o leite materno é a melhor fonte de nutrientes para o recém-nascido até os primeiros anos de vida.


A história do aleitamento materno


Esse ato, que proporciona um maior vínculo com a mãe é uma prática milenar e cheia de mitos. A mitologia Grega conta a história de Rômulo e Remo que foram amamentados por uma loba, e Zeus, por uma cabra. Já os egípcios, babilônios e hebreus, tinham como tradição amamentarem seus filhos por três anos, enquanto as escravas eram alugadas por Gregos e Romanos ricos, como amas-de-leite (BITAR, 1995). Estudos apontam que, no século XVIII, a prática de amamentar não era mais vista pelas pessoas da sociedade européia com admiração, sendo utilizado as amas-de-leite mercenárias como um hábito rotineiro. Em função do desmame precoce, a mortalidade infantil aumentou muito, chegando a alcançar a cifra de 99,6% das crianças em Dublin, as quais não tinham a opção da ama-de-leite. Em Paris e em Londres este índice chegou a 80% e 56%, respectivamente, mesmo as crianças sendo amamentadas pelas amas-de-leite.


Durante esse declínio do aleitamento materno, o descobrimento das Américas mostrou novas culturas chocantes para os europeus, um hábito que chamou a atenção foi a amamentação das crianças nativas por um período aproximado de 3 a 4 anos (SILVA, 1989).

Mas esse choque cultural não mudou a situação, até o fim do século XIX a amamentação ao peito era uma opção de vida ou morte, sendo o processo de amamentar, bastante complicado (VINAGRE; DINIZ, 2001).


De lá pra cá


E mesmo no século XX, o índice de aleitamento materno no Brasil era muito baixo, devido à falta de incentivo ao aleitamento materno pelos pediatras, da propaganda não ética de substitutos industrializados do leite materno, alegando serem mais completos e saudáveis para os bebês e também da distribuição gratuita de leite em pó pelo governo (REA, 2004).


Em virtude disso, em 1981, foi aprovado o Código Internacional de Substitutos do Leite Materno, assinado por 118 países. Hoje, todos os estudos demonstram que o leite materno é o MELHOR ALIMENTO DO MUNDO. Mesmo assim, os mitos sobre a amamentação ainda se perpetuam:


  • O leite humano é fraco;

  • O bebê faz o peito de chupeta;

  • Dormir mamando é associação negativa do sono;

  • O colostro não é importante;

  • As fórmulas artificiais infantis são iguais ao leite humano;

  • Após 6 meses o leite vira água e não tem nenhum benefício amamentar;

  • O bebê ficará mais independente se só mamar no peito;

  • Volta ao trabalho é sinônimo de desmame;

  • Amamentar faz o peito cair;

  • Precisa comer "x" alimentos e beber determinada quantidade de água para produzir leite suficiente;

  • Mulheres com redução de mamas e/ou silicone não podem amamentar;

  • Bicos artificiais tais como chupeta, mamadeira e intermediário de silicone não atrapalham a amamentação;

  • Chupeta é melhor que dedo;

  • Amamentar à noite causa cárie.


Um documento fundamental para o incentivo da amamentação e para que os hospitais recebam o título de Hospital Amigo da Criança, é o guia Os Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno, de acordo com a Organização Mundial da Saúde e Fundo das Nações Unidas para a Infância (CARVALHO; TAMEZ, 2003), confira:


  1. Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, a qual deve ser rotineiramente transmitida a toda a equipe do serviço.

  2. Treinar toda a equipe, capacitando-a para implementar esta norma.

  3. Informar todas as gestantes atendidas sobre as vantagens e o manejo da amamentação.

  4. Ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto.

  5. Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos.

  6. Não dar a recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que tenha indicação clínica.

  7. Praticar o alojamento conjunto - permitir que mães e bebês permaneçam juntos 24 horas por dia.

  8. Encorajar a amamentação sob livre demanda.

  9. Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas.

  10. Encorajar o estabelecimento de grupos de apoio à amamentação, para onde as mães devem ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar.


Considerações finais


Ao longo de décadas houve uma extrema valorização do aleitamento materno, o que aumentou o número de pessoas mais conscientes dos benefícios que ele pode proporcionar para o bebê e para a mãe. A amamentação não deve ser visto como responsabilidade exclusiva da mulher, percebe-se que os profissionais da saúde são essenciais para o suporte nas questões biológicas e técnicas.


A história tem nos mostrado que desconstruir mitos em torno de questões que envolvem o corpo da mulher é complexo e demorado, porque são valores que fizeram parte da vida de outrora. O resgate histórico é essencial para compreendermos essa prática tão especial.



A Autora


Adriana Cássia Ferreira

Farmacêutica, mãe do Arthur e de um anjinho e consultora em amamentação.

Após a chegada do meu bebê, pude viver na pele as dificuldades em amamentar e vi como os mitos impactam negativamente para a mãe que quer amamentar. Com a maternidade, senti o desejo de ajudar outros humanos a amamentarem o seus bebês, por isso criei a "Ouro Líquido consultoria em amamentação".

Quero que mais pessoas alcancem suas metas de amamentação com leveza e prazer. Vamos juntas?


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Texto um incrível

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