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A diferença entre slow fashion e fast fashion: quais os benefícios de adotar um consumo consciente?

Palavras do momento são bem comuns em discussões relevantes e também casuais, se tornou um tópico em tendência falar expressões que estão em alta, como é o caso de Slow Fashion e Fast Fashion.


Se você é um pouquinho antenada em moda com certeza já se deparou com essas expressões. Podemos até compreender seu sentido em um primeiro momento, mas realmente entender tais conceitos é necessário para, não somente um consumo consciente, como também para o avanço da economia colaborativa. Para compreender melhor estes termos, vamos voltar um pouco no tempo.


Os primórdios da moda


Não é segredo para ninguém que o que está nas passarelas não são simples palpites. Desde o início dos tempos, estilistas se embasaram em pesquisas e se atentaram ao rumo que a sociedade estava tomando para melhor desenvolver uma coleção e apresentá-la ao seu público. Por tal motivo, as passarelas ditam o que será “tendência” naquela estação.


Com a famigerada revolução industrial, o consumo se intensificou em grande escala, e os consumidores já não precisavam esperar muito tempo para adquirir o que era visto nas passarelas.


Fast Fashion: da ascensão para a consciência


Em 1990 só se falava disso no mercado da moda. Inúmeras marcas de departamento criavam um olhar crítico para o que era apresentado como tendência nas passarelas e produziam em larga escala para o público em geral. A prática desta “moda globalizada” ganha notoriedade, fazendo com que as mesmas peças de roupas circulem por todo o mundo, sem nenhuma especificação local, tornando o preço final um “diferencial” no bolso do consumidor.


Coleções deixaram de ser sazonais para esse público e eram mensais, às vezes até semanais, causando a necessidade no consumidor de consumir rapidamente, de sempre ter o “Novo”.

O fast fashion entrou com tudo em todo o mundo, grandes marcas e como Zara, H&M, Benneton, GAP e outras, passam a aderir tal movimento, criando um mercado em toda Europa. No Brasil, marcas como C&A, Renner, Riachuelo e algumas outras lojas de departamento se adaptaram para fazer parte deste movimento, trazendo grande visibilidade e atratividade ao Fast Fashion.


Nesse momento, liderado pelo fast fashion, cresce o questionamento sobre a indústria da moda e sua conduta, tais como: mão de obra escrava, marcas atuando de forma ilegal, remuneração não compatível ao mercado, produção prejudicial ao meio ambiente, dentre outras.


O cenário fast fashion é visto então com novos olhares. A economia consciente passa a crescer e se tornar relevante no processo de compra. Dentre as demais soluções para o problema, o movimento que ganha força é o Slow Fashion.


Mas afinal, o que é Slow Fashion?


O Slow Fashion surge durante o auge do Fast Fashion, com o intuito de minimizar os danos que são causados diariamente devido as práticas dessa indústria. O seu significado é exatamente “moda lenta” e seu conceito vai desde um consumo mais consciente até a pratica da economia circular, onde o ponto final da roupa que não te atende mais não é o lixo, e sim um próximo consumidor, pois o ciclo de vida de um produto é também um fator de extrema relevância para o slow fashion.


A visibilidade gerada pelo Slow Fashion trouxe para a indústria novas percepções à respeito da sustentabilidade na moda. Surgiu então a importância de todo o processo necessário para praticarmos um consumo consciente, como a utilização de tecidos eco-friendly na produção; a valorização do mercado local e um sistema de produção mais transparente, que informa ao consumidor todo o processo de feitura de uma determinada peça de roupa.


Na internet esse movimento ganha forças, incentivando o slow fashion desde a produção até a prática de alugueis de kit de roupas, com o intuito de apresentar que o descarte de peças não é o único fim.


Movimentos online como o Fashion Revolution se fizeram presentes em todo o mundo, afirmando que é possível acreditar num mercado que valoriza as pessoas, o ecossistema e a criatividade do profissional em inovar. A hashtag “#quemfezminhasroupas” também ganhou voz online, e o seu conceito é justamente valorizar o profissional por trás do “ look “ que você está vestindo.


Toda essa percepção chama atenção do consumidor, mas mesmo assim ainda não temos dimensão do impacto positivo gerado pelo slow fashion quando comparado com o Fast Fashion.


Fast Fashion e sua Produção


  • Para se fabricar calças e malhas de poliéster são utilizados 70 milhoes de barris de petróleo por ano;

  • No Brasil, a estimativa de resíduos têxteis é de 175 mil toneladas/ano. Desse total, apenas 36 mil toneladas são reaproveitadas na produção de barbantes, mantas, novas peças de roupas e fios;

  • Para a produção de lã que é extraída do corpo das ovelhas, logo após sua extração, é utilizado inseticidas sintéticos causando problemas de saúde, contaminando solo, água e fauna;

  • Um caminhão de lixo de roupas é queimado ou enviado para aterro a cada segundo;

  • Diariamente são descartados, inadequadamente, 12 toneladas de resíduos têxteis (retalhos);

  • O algodão, apesar de ser biodegradável, é uma fibra cujo cultivo é o que mais demanda o uso de substâncias tóxicas no mundo;

  • Na produção de uma camiseta comum utiliza-se de mais de 2.700 litros de água;

  • Estima-se que os resíduos têxteis aumentem em cerca de 60% entre 2015 e 2030, com novos 57 milhões de toneladas adicionais sendo gerados anualmente, atingindo um total anual de 148 milhões de toneladas.


O slow fashion reforça a consciência ambiental, se atentando sempre aos custos que vão incluir também os ecológicos e os sociais. A busca por materiais 100% reciclados, orgânicos e sem agrotóxico também é um fator relevante.


Embora o desafio em mudar o pensamento do produtor exista, ele não é invencível. Muitas marcas passaram a reorientar a qualidade dos seus produtos, trazendo integridade às peças desde a hora da produção até a entrega final do seu produto.


A reutilização de peças também é uma força crescente nesse cenário. A aposta em brechós e nas demais propostas que tenham como finalidade incentivar a sustentabilidade na moda, se tornam relevantes e passam a ser vistas desde de uma nova perspectiva.


Aqui na Circulô estamos também na corrente do slow fashion, trabalhamos com esse conceito e o aplicamos à moda dos bebês. Quando alugamos peças de roupas incentivamos o consumo colaborativo e estendemos a vida útil dessas peças, isso já é um avanço para um consumo mais consciente.


Agora já entendemos melhor sobre o slow fashion e como podemos praticá-lo. Deixe aqui nos comentários quais são as suas práticas para incentivar o movimento.


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